21.2.08
fantásticos espaços do círculo: pólo norte autêntico
Segundo Adam Jeffson, que ali chegou a 13 de Abril de certo ano, para lá do Círculo Árctico vêem-se, dispersos no gelo, pedaços de rocha ou minerais ferruginosos com incrustações de pedras preciosas. Jeffson supõe que tais pedras são meteoritos atraídos àquele lugar por força do magnetismo polar. Aparentemente, o frio impediria que ardessem quando cruzassem a nossa atmosfera. Outras razões invocadas para justificar a sua presença naquele ponto do globo foram uma força da gravidade muito mais forte e uma densidade atmosférica mais baixa em toda a região que explicaria, também, o achatamento da Terra.
O Pólo Norte Autêntico está ocupado por um lago perfeitamente circular, de quase uma milha de diâmetro, em cujo centro se ergue uma coluna de gelo baixa e maciça que contém, segundo Jeffson, um nome escrito com letras que nenhum homem poderá jamais ler e, debaixo do nome, uma data. Jeffson crê que com o líquido que gira de este a oeste em torno da coluna numa espécie de êxtase trémulo e acompanhado por um lânguido rumor de alas e cascadas, gira todo o planeta. Sugere que tal líquido é o alimento de um ser vivo, de muitos olhos, indolente e triste, que dá voltas em círculo para toda a eternidade numa cavidade subterrânea e vibrante, mantendo os seus olhos constantemente cravados no nome a na data descritos.
Jeffson chegou ao Pólo Norte sozinho, depois de passar por vicissitudes terríveis, que o fizeram perder todos os seus companheiros de viagem. As crónicas da descoberta de outro Pólo Norte, por parte de dois exploradores norte americanos, o Dr Frederick Albert Cook (1865-1940) e o contra-almirante Robert Edwin Peary (1856-1920), não são mais que ficções.
(Matthew Phipps Shiel, in The Purple Cloud, NYC, 1901)

in Breve Guía de Lugares Imaginarios, de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, Ed. Gran Bolsillo, Alianza Editorial, 1980, página 480.
 
posted by Eduardo Brito at 15:21 | Permalink |


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