19.7.07
a história de andrée - 6 - epílogo.

Salomon August Andrée, Knut Frænkel e Nils Strindberg.

Posterity has expressed surprise that they died on Kvitøya, surrounded by food. (...) The surprise is rather that they found the strength to live so long"

Rolf Kjellström in The Centennial of S.A. Andrée's North Pole Expedition: Proceedings of a Conference on S.A. Andrée.


O mistério de Andrée começa a quinze de Julho de mil oitocentos e noventa e sete. É nesta data que é encontrada a antepenúltima notícia da expedição: o navio norueguês Alken apanha um dos pombos correios largados do balão Örnen. Na mensagem, destinada ao jornal sueco Aftonbladet, podia ler-se um animador tudo bem a bordo. Em mil oitocentos e noventa e nove, bem como no ano seguinte, são encontradas mais duas mensagens enviadas por Andrée ainda durante o vôo do Örnen. Ambas mencionam o elevado optimismo e a excelente condição de todos.
Trinta e três anos depois da viagem de Andrée, a expedição de Gunnar Horn, a bordo do veleiro Braatvag, atraca em Vitön. Tal como em mil oitocentos e noventa e sete, o Verão polar de mil novecentos e trinta é particularmente quente e deixa ver o cume das montanhas da ilha branca. Olaf Salen e Karl Tusvik, marinheiros, vão a terra. Vêem a ponta negra de um batel, mancha indisfarçável na paisagem. Acercam-se e lêem Andrees polarexp. O mistério está desfeito. Ali está, quase intacto, o acampamento de inverno da expedição de mil oitocentos e noventa e sete. Mais à frente, a sepultura de Nils Strindberg. Dentro da tenda, os corpos de Knut Frænkel e Salomon August Andrée, lado a lado e rodeados por inúmeros objectos conservados pelo gelo, desde utensílios e diários da viagem até aos rolos fotográficos de Strindberg.
Termina um mistério, outro começa: se é lógico que Strindberg foi o primeiro a morrer, como pereceram os outros dois exploradores? Ao lado dos seus corpos, restos de provisões ainda por consumir. E peles de urso. E uma salamandra desligada cheia de parafina. O que exclui a fome, o frio e o envenenamento por monóxido de carbono como causas de morte. Hoje, volvidos quase cento e dez anos, apontam-se como causas prováveis da morte dos exploradores o botulismo e a triquinose: infecções virais provocadas pela ingestão de carnes contaminadas, como a de tantos e tantos ursos. Porém, há que não esquecer nem descurar a brancura da apatia, da exaustão, do desespero.

"Andrée foi um técnico sagaz e práctico (...). Apenas tomou uma decisão insensata em toda a sua vida: a decisão de tentar alcançar o Pólo Norte num balão de hidrogénio. A sua expedição (...) estava inquinada desde o princípio. E Andrée seguramente que se apercebeu disso muito antes da partida.
O que é que terá dado asas a tamanha loucura? Porque é que todos se entusiasmaram tanto? O que fez, então, destes homens (...) os heróis em que se tornaram?"

Per Olof Sundman, in The Flight Of The Eagle, Ed. Pantheon Books, NYC 1970.


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Planta do acampamento de inverno da expedição, desenhada por Nils Strindberg e incluida no seu diário.
©
Grenna Museum.


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Os despojos da expedição de Andrée, Frænkel e Strindberg, fotografados em Vitön. Fotografia © DR.


A História de Andrée, em seis pequenas partes, foi escrita com o apoio e inspiração da seguinte bibliografia:
- Per Olof Sundman, in The Flight Of The Eagle, Ed. Pantheon Books, NYC 1970.
- Andrée’s Story: The Complete Record Of His Polar Flight, 1897. Edited by the Swedish Society for Anthropology and Geography, The Viking Press, NYC 1930.
- Wikipédia: S. A. Andrée's Arctic balloon expedition of 1897.
 
posted by Eduardo Brito at 17:46 | Permalink |


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