13.7.07
a história de andrée - 3.
Salomon August Andrée, Knut Frænkel e Nils Strindberg.



... descendons doucement par un sinusöid...

Diário de Nils Strindberg - 5:29 pm de 13 de Julho de 1897.


O balão ergue-se muito devagar e afasta-se para Nordeste. Deixa para trás o porto de Virgo, os acenos de todos aqueles que ao longo de um mês o foram construindo. São treze horas e trinta minutos do dia onze de Julho de mil oitocentos e noventa e sete. Nos primeiros instantes da viagem, tudo como previsto: um ou outro ajuste de peso e a altitude estabilizada nos setecentos metros. O primeiro gelo a flutuar no oceano azul escuro é avistado às quatro e dezasseis. O vento, de sudoeste, empurra o Örnen para o seu destino. A paisagem, lá em baixo, vai-se tornando cada vez mais branca e silenciosa: não há sinais de vida e os únicos ruídos que se escutam são do gelo que se quebra e cai.
A neblina aparece, o balão arrefece e perde altitude. Largam-se sacos de areia para voar mais alto. São vinte e duas horas, o sol brilha. Andrée decide descansar.
O segundo dia da expedição, doze de Julho, começa com o avistar de uma densa nuvem. O Örnen não tem como lhe fugir. Ao entrar na sua espessura, arrefece e desce bruscamente. Está agora a apenas cento e vinte metros do tapete de gelo que cobre o mar. Mesmo depois de se ter desfeito de algumas dezenas de quilos.
Todo o dia é passado dentro de um intenso frio nevoeiro. Às seis da tarde, o balão raspa na superfície gelada. Vários toques no chão de gelo vão se sucedendo. Às vinte e três horas, imobiliza-se na superfície pela primeira vez. As doze horas seguintes seriam passadas assim, num doloroso sobe, desce, pára. Sobe, desce, pára.
Ao meio dia de treze de Julho, uma das paragens no mar de gelo é aproveitada para uma refeição de faca e garfo. A primeira desde a partida. Strindberg chama-lhe o dîner du 13 juillet. A ementa é composta por


Potage Hotch Potch Chateaubriand

The King’s Special Ale

Chocolate With Biscuits

Biscuits with raspberry syrup and H2O.

No final da refeição, o nevoeiro levanta e deixa ver o sol. O ânimo e a força reaparecem, também. Latitude calculada de imediato: a expedição está oitenta e dois graus norte. Andrée, Strindberg e Frænkel decidem soltar pombos-correio com bilhetes a darem conta de onde se encontram e de quão bem dispostos e optimistas todos estão. Mas o sol dura pouco, como sempre. Duas horas depois, o nevoeiro regressa denso e o Örnen não levanta. Largam-se duzentos e doze quilos de carga. Em vão.
Os momentos que se seguem são passados num angustiante sobe e desce. Até que à hora sétima do dia catorze de Julho de mil oitocentos e noventa e sete, o Örnen termina o seu vôo: gelado no seu topo, desce e pousa no chão branco. Calmamente.


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Postal francês da viagem de S. A. Andrée, seguramente inspirado nesta e nesta fotografia. © DR

 
posted by Eduardo Brito at 17:29 | Permalink |


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