3.5.07
cемён ивaнович дежнёв.
Semyen Ivanovitch Dezhnev.


Entre os rios Kolyma e Anadyr nada se conhece. Ninguém sabe se a terra russa acaba, ninguém sabe se se une com o Alasca, fazendo da Eurásia e da América uma só terra. Noventa homens, divididos por sete kochis, esperaram nove meses pelo descongelar das águas da foz do Kolyma. Agora, chegou o momento. Estamos a vinte de Junho de mil seiscentos e quarenta e oito, na expedição ao remoto Nordeste russo dos cossacos Fyódor Alexeyev e Semyen Dezhnev, à procura da fortuna do marfim de morsa e da glória dos grandes descobridores. Sem bússulas e sem mapas, navegam para Leste acompanhando o desenho da costa. Passam-se dois meses e meio até a frota dobrar um cabo e começar a rumar a Sul. Pouco tempo resta antes da chegada dos gelos. A expedição atraca numa de duas pequenas ilhas, provavelmente para invernar, mas é atacada por inuítes. Os que sobrevivem, fogem para Sul. Numa tempestade, o koch de Alexeyev desaparece. Dezhnev atinge, por fim, um largo golfo e, dias mais tarde, a foz do rio Anadyr, por onde navega até encontrar um pequeno povoado. Ali permanece o cossaco e os seus dezoito homens até ao verão seguinte, regressando com fortuna feita até Yakutsk. É mandado seguir para Moscovo, para narrar as suas gloriosas descobertas à corte.

Na sua viagem à Europa Ocidental, nos últimos anos do século dezassete, Pedro, o Grande toma conhecimento das palavras do cartógrafo Guillaume Delisle, a propósito dos limites nordeste da Rússia: “on ne sait pas où se termine cette chaine de montagnes, et si elle ne va pas joindre quelque autre continent”. Todo o Ocidente quer saber se a Eurásia está ligada à América. O imperador conclui: é preciso explorar a costa norte e este do seu reino, as suas riquezas e os seus limites, que apenas se conhecem de lendas e relatos imprecisos. A dezasseis de Agosto de mil setecentos e vinte e oito, seis meses depois da sua morte, Vitus Bering tem finalmente uma resposta para lhe dar.



Aldeia abandonada de Naukan, no Cabo Dezhnev. © NOAA.


Estamos agora em mil setecentos e trinta e seis. O historiador alemão Gerhard Friedrich Müller descobre nos arquivos de Yakutsk os relatos das explorações de um tal de Semyen Dezhnev, falecido em mil seiscentos e setenta e três, às portas de Moscovo. Vinte anos depois, consegue, finalmente, publicar “Voyages et découvertes faites par les Russes le long des côtes de la Mer Glaciale & sur l'Océan Oriental, tant vers le Japon que vers l'Amérique. On y a joint l'Histoire du Fleuve Amur et des pays adjacents, depuis la conquête des Russes”, difundindo os resultados da expedição do cossaco Dezhnev: as terras do remoto Leste russo têm fim; entre a Eurásia e a América existe um estreito. O Estreito de Bering.
 
posted by Eduardo Brito at 10:07 | Permalink |


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