18.5.07
breve história de uma história dos povos do norte.
Os povos do Norte estão expostos a noites de grande duração. Em consequência, usam vários tipos de luz para cumprirem os deveres indispensáveis dos seus lares. *


Esta é a breve história de um enorme livro chamado Historia de Gentibus Septentrionalibus, publicado em Roma no ano de mil quinhentos e cinquenta e cinco. São setecentos e setenta capítulos, ilustrados por quinhentas imagens, naquele que foi o maior retrato alguma vez feito aos usos e costumes dos povos do remoto Norte. Palavras e gravuras de tão extensa monografia têm a autoria de Olaus Magnus, o eclesiástico sueco, bispo de Upsalla, que foi também viajante, geógrafo, cartógrafo e diplomata.



No remoto Norte vive uma temível criatura tão grande como um elefante, chamada foca ou morsa, talvez assim chamada por causa de sua forte mordida . *


A história da Historia de Gentibus Septentrionalibus nasce com um mapa. Aliás, grande parte das páginas deste livro são análises detalhadas de um mapa, de o mapa: em mil quinhentos e trinta e nove, Magnus publica em Veneza a sua Carta Marina, uma detalhada descrição dos mares e dos reinos do Norte, cuja influência se estenderia até ao século XIX. Se a história da Historia de Gentibus Septentrionalibus nasce da Carta Marina, a história desta carta – e, reflexamente, do longo livro – nasce de uma viagem de dois anos que o autor fez até longínquo e desconhecido Norte - a terra incognita - lugar de adoradores de demónios, berço da guerra e reino do frio.




Nem mesmo a parte mais remota do Norte, que muitos crêem inabitável por causa de seu intenso frio, está livre de ritos sacrílegos e de devoção a espíritos malignos . *


Em mil quinhentos e dezoito, Magnus parte para a província de Norrland. Visita Trondheim e Övertorneå, estuda os estranhos usos e costumes das gentes que encontra, descreve e desenha o novo mundo que tem diante de si: um lugar branco, com dias e noites diferentes dos dias e das noites do resto do mundo, um lugar de mares misteriosos, que engolem navios inteiros com a força das suas correntes, um lugar de monstros de dentes horríveis e assustadores, mas de gente corajosa e forte, capaz de erguer uma fortaleza invencível. Desta viagem, Olaus Magnus concebe a Carta Marina. Partindo de uma e de outra, escreve, durante dezasseis anos, a monumental Historia de Gentibus Septentrionalibus.



* Gravuras de Olaus Magnus, extraídas, tal como o texto, de Historia de Gentibus Septentrionalibus.

 
posted by Eduardo Brito at 23:25 | Permalink |


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