21.3.07
a esperança de john davis.
John Davis


Desde finais do século quinze que o este e o oeste da Terra estavam divididos entre portugueses e espanhóis. Todas as nações europeias que quisessem chegar ao oriente por mar teriam apenas uma direcção segura a seguir: o Norte. É deste facto que parte grande parte da descoberta polar quinhentista.
Em mil quinhentos e oitenta e sete, o inglês John Davis regressa pela terceira vez ao Círculo do Urso, ao serviço do mercador Willam Sanderson. O objectivo é o de sempre: encontrar a Passagem Noroeste. Davis é um mestre dos mares: marinheiro exímio e diplomata sensível e tolerante, é também um cientista importante, inventor do quadrante que adoptou o seu nome. Mas depois de duas viagens sem resultados, Davis está condicionado por uma exigência de Sanderson: a expedição só acontecerá se apenas um dos três barcos da frota, o frágil Ellen, se aventurar em explorações: os outros, o Sunneshine e o Elizabeth ficarão à espera que o primeiro regresse e, enquanto esperam, ocupar-se-ão em pescar bacalhau. Davis aceita e lá parte, outra vez. Ao avistar o Cabo Farewell, que ele próprio assim nomeara um ano antes, Davis vira para Norte e inicia as suas explorações. A calmia do mar e a bondade do tempo encorajam o explorador a avançar até onde nunca antes ninguém houvera avançado. Sobe até aos setenta e dois graus e quarenta e três minutos Norte, onde ancora em protectora baía. Ao olhar para Setentrião, vê mar até perder de vista, livre de gelo. Este é o caminho, o caminho certo a seguir, sente. Terá dito chamarei a este lugar Sanderson’s Hope, a esperança de William Sanderson, a esperança de uma passagem Nordeste aqui tão perto. Mas o tempo arrefece demasiado rápido com o aproximar dos últimos dias de Agosto. E o Ellen é um barco pouco resistente. Davis tem que voltar, portanto. Depois de vários dias à espera de vento Norte, o Ellen iniciou a descida ao encontro do Sunneshine e do Elizabeth. Procurou-os por toda a costa de Labrador. Em vão. À sua espera, apenas o silêncio do mar. Estragado pelo gelo e pelos ventos fortes, o Ellen demoraria um mês a regressar a casa.
John Davis não se ficaria pelas suas três prodigiosas viagens exploratórias, não desistiria da esperança de Sanderson. Anos mais tarde, tenta o inverso, a passagem Sul e descobre as ilhas Falklands. Regressado a casa, em mil quinhentos e noventa e quatro, escreve The Seaman’s Secrets e The Worlde’s Hydrographical Descriptions, duas obras incontornáveis durante séculos. Nesta última, e a propósito das luzes do Círculo do Urso, afirmou que “v
nder the Pole is the place of greatest dignitie”. Em todo o mundo inteiro.
 
posted by Eduardo Brito at 01:56 | Permalink |


1 Comments:


At 22 March 2007 at 11:24, Blogger Mariana

Gostei muito do relato desta exploração de John Davis. Pela forma como o descreveu, tenho a certeza que nunca deixará mal o seu iniciador/mestre Sanderson, que nunca abandonará (apesar deste ser 'mercador', atributo que Davis não aprecia muito) e ainda escreverá belas coisas sobre as luzes do Círculo do Urso.

 
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